A espécie V. velutina é altamente variável em termos de cor e foram identificadas 13 subespécies (GBIF, 2026). A subespécie V. v. nigrithorax du Buysson (1905) é invasora na Europa, onde varia em tamanho de 17 a 32 mm (Rome e Villemant, 2018). Os espécimes apresentam grandes dimensões, entre 2.5cm e 3.5cm (variável com alimento, lugar e temperatura e também entre castas: rainhas, obreiras, machos). A cabeça é preta com a face laranja/amarelada. O corpo é preto aveludado ou castanho-escuro. O abdómen apresenta uma fina faixa amarela e apenas um segmento amarelo-alaranjado. As asas são escuras e as patas castanhas com apenas as extremidades amarelas. Pode ser confundida com a Vespa crabro (vespa europeia), sendo que esta apresenta uma coloração mais acastanhada tanto no tórax como nas patas. A cabeça desta é amarelada e as suas dimensões podem superar as da Vespa velutina (INIAV, 2026).
Estudos moleculares adicionais confirmaram a sinonímia de auraria e pruthii com V. velutina (Perrard 2012). Archer (2012) forneceu uma chave que apoia a identificação das formas de cor de V. velutina e a sua distribuição. É a subespécie nigrithorax que é invasora na Europa. Uma chave para as Vespinae pode ser encontrada em Archer (2012); Martin (1995) e Nguyen e Carpenter (2002) também fornecem chaves para a identificação das espécies asiáticas de vespas dos géneros Vespa e Provespa.
A Vespa velutina é uma das mais de 140 espécies do género Vespa identificadas (EOL 2026; GBIF, 2026). Inclui 12 formas de coloração (entre as quais se encontram a auraria Smith, 1852, a nigrithorax du Buysson, 1905 e a pruthii Sonan, 1929). Estas formas foram consideradas durante muito tempo como subespécies (Vecht, 1957), mas passaram a ser tratadas como sinónimos da forma nominal, de acordo com Carpenter e Kojima (1997). Em 1991, Archer removeu auraria e pruthii para estabelecer uma espécie separada, V. auraria, devido à sua aparente simpatria com V. velutina nigrithorax em diferentes localidades, mas isso foi rejeitado por Nguyen et al. (2006) porque a forma colorida auraria se intergradava com nigrithorax no norte do Vietname e nenhum outro caráter morfológico pôde ser encontrado para distingui-las. Das 22 espécies de Vespa spp. da Ásia, apenas algumas expandiram a sua distribuição geográfica para incluir as Filipinas e a Nova Guiné. Apenas duas espécies de Vespa spp. são nativas da Europa: a vespa europeia, Vespa crabro Linnaeus (1758), e a vespa oriental, Vespa orientalis Linnaeus (1771) (Matsuura e Yamane, 1990). Vespa crabro é encontrada em toda a Europa, enquanto V. orientalis estava restrita à Bulgária, Grécia, sul da Itália e leste do Norte de África (Carpenter e Kojima, 1997). Atualmente Vespa orientalis encontra-se já, como espécie exótica invasora, em territótio espanhol.
Técnicas moleculares para diagnosticar V. velutina estão em desenvolvimento para uso em laboratório e no campo (Stainton et al., 2018).
A espécie é diurna e tem um ciclo anual. De Fevereiro a Maio surgem as novas colónias (1 fundadora dá origem a 1 colónia) e entre Junho e Novembro regista-se a maior pressão das vespas sobre as abelhas, atividade que se associa ao crescimento dos ninhos/vespeiros. Durante o Inverno as fundadoras hibernam fora do ninho, em árvores, rochas ou mesmo no solo. Enquanto as fundadoras podem ter uma longevidade de 1 ano, as obreiras vivem entre 30 e 55 dias. (INIAV, 2026) Os ninhos são constituídos por fibras de madeira mastigadas, apresentando uma forma arredondada ou de pêra, com uma abertura lateral. As dimensões destes ninhos podem atingir até 1m de altura e 50-80cm de diâmetro. Geralmente surgem em árvores com altura superior a 5m. Cada ninho pode albergar cerca de 2000 vespas e 150 fundadoras. Os ninhos desocupados no final de um ciclo biológico não são reocupados no ano seguinte (INIAV, 2026). Para distinção entre machos e fêmeas, consultar o folheto (https://projects.iniav.pt/gesvespa/wp-content/uploads/ficha_identificacao_vespa_velutina.jpg) As colónias normalmente mudam de um ninho primário de pequenas dimensões (tamanho de uma bola de ténis), iniciado pela rainha, para um ninho secundário ou definitivo maior. Os ninhos primários têm entradas basais, enquanto nos ninhos secundários a entrada está normalmente localizada lateralmente, ao contrário de V. crabro, que geralmente tem uma entrada basal. Cada vez mais frequentemente são encontrados ninhos no chão ou em vegetação abaixo dos 5m de altura. Biologia Reprodutiva Todas as vespas têm um ciclo de vida anual. Os ninhos nas regiões temperadas são fundados na primavera por uma única rainha após o período de hibernação durante o inverno. Na Vespa velutina, a rainha (também conhecida como fundadora) constrói rapidamente um pequeno ninho embrionário no qual cria o primeiro grupo de operárias (fêmeas) num local fechado e protegido (uma cavidade na parede, oco de árvore, galpão, alpendre, etc.). Os ninhos são construídos com madeira retirada de árvores mortas, arbustos, postes, etc. Estes ninhos são pequenos — consistem em 30-40 células e têm inicialmente o tamanho de um limão. Parece que todos os ninhos são usados apenas uma vez e são destruídos por pássaros ou pelo clima, embora os mesmos locais de nidificação possam ser usados ano após ano. Leva de 30 a 50 dias para que o primeiro grupo de operárias surja em regiões subtropicais e temperadas (Dong e Wang, 198
Os ninhos de V. velutina têm alguns predadores naturais na Aquitânia (França) — no período de declínio pré-invernal da colónia, pica-paus verdes (Picus viridis), gaios (Garrulus glandarius) e chapins (Paridae) são frequentemente vistos a pilhar ninhos e a comer as larvas restantes — mas estes são incapazes de atacar grandes colónias ativas. Existem registos raros de inimigos mais especializados, como o falcão-abelheiro-europeu ou vespeiro (Pernis apivorus) e o abelharuco-europeu (Merops apiaster), mas estes têm um impacto insignificante na população (F. Muller, Museu Nacional de História Natural, Paris, França, comunicação pessoal, 2013). Ainda não se sabe se existem outros predadores de vespas (Mollet e Torre, 2006). Onofre et al., 2022, citando Rebollo et al. (2019), referem que as larvas de vespa-asiática representam mais de 50% das presas levadas para os ninhos de vespeiro monitorizados na Galiza. Embora seja ainda cedo para se saber o impacte exacto do Vespeiro na Vespa-asiática, Rebollo et al. (2019) terão referido que a população desta ave de rapina na Galiza, composta por cerca de 700 casais, pode ter destruído milhares de ninhos daquela espécie em 2018, tantos quantos aqueles que as autoridades territoriais destruíram nesse ano - algo à roda de 24.500 ninhos de vespa (ainda Onofre et al, 2022, citando S. Rebollo cit. in Anónimo, 2019). A vespa-europeia, bem como a vespa-asiática, foram identificadas como presas de abelharuco no estudo realizado em Portugal pelo INIAV desde 2021, na região compreendida entre os concelhos da "Margem Sul", a sul, e os concelhos de Tomar, Sardoal e Abrantes, a norte, e que abrange a mai
Esta espécie é originária do sudeste asiático estendendo-se desde o norte da India, China, Taiwan, Indochina, Malásia e arquipélago da Indonésia. A subespécie V. velutina nigrithorax, que foi encontrada na Europa, vive no norte da India, Butão, China e nas montanhas de Sumatra e Sulawesi (Indonésia). Em 2003 foi encontrada na Coreia do Sul onde rapidamente se estabeleceu e se tornou uma espécie invasora (DGAV, 2018). O seu percurso de invasão na Europa nunca pode ser verdadeiramente conhecido, mas acredita-se que tenha ocorrido acidentalmente em 2004 no sudoeste da França (perto de Agen), após a importação de vasos de Bonsai da China (Monceau et al. 2013; Budge et al. 2017). Desde então, disseminou-se rapidamente pela Europa com relatos da Espanha em 2010, Bélgica e Portugal (mais concretamente a norte no distrito de Viana do Castelo) em 2011, Itália em 2013, Alemanha em 2014, Reino Unido em 2016 e Suíça em 2017 (Budge et al. 2017; Arca et al. 2015; Rome e Villemant, 2017; Stainton et al. 2018).
A presença de V. velutina em França foi confirmada pela primeira vez em publicações em 2006, após a descoberta, em 2005, de várias rainhas solitárias e de uma primeira colónia pertencente à subespécie nigrithorax du Buysson (1905) no departamento de Lot-et-Garonne (Haxaire et al. 2006; Villemant et al., 2006a,b). Esta subespécie é encontrada na Índia e na China (Chauzat e Martin, 2009); as fêmeas fundadoras em hibernação podem ter chegado a Lot-et-Garonne um ano antes em vasos de bonsai de terracota provenientes da China. Estudos genéticos subsequentes mostraram que as vespas de França eram originárias do leste da China (Jiangsu/Zhejiang) (Arca et al., 2015). V. velutina adaptou-se muito bem ao clima do sudoeste francês e as populações cresceram rapidamente a tal ponto que a erradicação deixou de ser possível. No final de 2006, foi registada em onze departamentos do sudoeste da França, enquanto em 2007 se espalhou por 20 departamentos do sudoeste (Rortais et al., 2010). Em 2010, tinha sido registada em grande parte do oeste de França e em alguns departamentos mais a leste (Muséum National d’Histoire Naturelle, 2012). Atualmente, encontra-se em quase toda a França (Rome, 2019). Em 2010, V. velutina foi registada pela primeira vez em Espanha, nas províncias de Guipúzcoa e Navarra, no norte do país, perto da fronteira com França (López et al., 2011). Foi registada em Portugal em 2011 (Grosso-Silva, 2012), e (Budge et al., 2017). De acordo com a base de dados EASIN, da União Europeia, a espécie foi detectada na Bélgica em 2011, na Itália em 2013, na Alemanha em 2014, no Reino Unido em 2016, nos Países Baixos em 2017, no Luxemburgo em 2020, na Irlanda em 2021, na República Checa e na Hungria em 2023 e na Áustria em 2024. Na Ásia, V. velutina foi encontrada no Japão, na Ilha de Tsushima, em 2012, e na Ilha de Kyushu, em 2015. Estudos moleculares realizados por Takashima et al. (2018) indicam que os espécimes de cada ilha tinham a mesma origem. Em 2003, Vespa velutina chegou ao sul da Coreia (região de Yeongdo) e estabeleceu-se, tendo passado a espalhar-se para norte a uma velocidade de 10 a 20 km por ano (Choi et al., 2012).
Na Ásia, V. velutina é encontrada em climas semelhantes aos do sul da Europa. Pensava-se que apenas invernos excepcionalmente frios poderiam impedir a sua propagação para norte e/ou reduzir o aumento da população nas regiões sudoeste de França (Villemant et al. 2006b), mas a modelação mostrou que, na verdade, apenas verões secos poderiam limitar a expansão no sul da Europa (Villemant et al., 2011) . O mesmo estudo mostrou que a área de distribuição poderia potencialmente incluir a maior parte do sul da Europa e, possivelmente, outras áreas ao redor do mundo. A V. velutina aparentemente consegue sobreviver a transportes de longa distância (como visto na incursão francesa com espécimes da China), portanto, o seu potencial de introdução e propagação em países com climas semelhantes aos do sudoeste da França é extremamente alto. Em França, propagou-se por 120 000 km2 em 3 anos, demonstrando que pode colonizar grandes áreas num período de tempo muito curto se as condições climáticas forem favoráveis. No Reino Unido, considerou-se muito provável que ela entrasse e se estabelecesse, e provavelmente se espalharia rapidamente com impactos moderados se e quando chegasse (Marris et al., 2011); os primeiros avistamentos foram registrados em 2016 (Budge et al., 2017).
2 Dunas marítimas e interiores 4 Charnecas e matos das zonas temperadas 5 Matos esclerófilos 63 Florestas esclerófilas sujeitas a pastoreio (montados) 8 Habitats rochosos e grutas 9 Florestas
Considerando os vários cenários de mudanças climáticas, uma grande parte da Europa parece ter condições ecológicas favoráveis ao estabelecimento da espécie. Para avaliar com mais precisão a disseminação potencial de uma espécie invasora, é importante considerar as capacidades de dispersão das espécies. Juntamente com a heterogeneidade ambiental, a capacidade de dispersão pode moldar a distribuição de uma espécie e afetar o crescimento da população (Robinet et al. 2016). Em França, estima-se que o avanço desta espécie ande em torno dos 100 km por ano aproveitando, fundamentalmente, para o seu avanço, os leitos dos rios nos vales fluviais. Segundo Rome et al. (2011), alguns ninhos também foram registados a mais de 200 km de distância da frente da invasão, sugerindo mais uma vez o transp
A Vespa velutina é predadora das abelhas melíferas que prestam serviços de polinização a culturas comerciais e paisagens naturais. Esta vespa também preda uma grande variedade de outras espécies de insetos benéficos, incluindo polinizadores não domesticados como, por exemplo, outros himenópteros e moscas-das-flores (Rome et al., 2011, Villemant et al., 2011a). São vários os impactos sobre os serviços dos ecossistemas: Serviços de provisão - O possível efeito negativo na polinização (serviço primário) pode traduzir-se em perda de produção agrícola/frutícola e de rendimento melífero (serviço secundário). Serviços de regulação - A vespa asiática caça abelhas melíferas e outros polinizadores selvagens, o que pode ter um impacto negativo na produção. Serviços culturais - Embora as vespas sejam geralmente defensivas, elas podem ser consideradas um incómodo para atividades recreativas, causando problemas de saúde mental e física. No que diz respeito ao seu potencial perigo para o homem, V. velutina não é considerada mais agressiva do que a vespa europeia, Vespa crabro (Haro e Blanc-Brisset, 2009; Haro et al., 2010); a literatura médica indica que, em comparação com outras espécies de vespas, não representa uma grande ameaça à saúde na Ásia (Haro et al., 2010). Embora a agressividade da V. velutina em relação aos seres humanos seja amplamente reconhecida entre os habitantes de Java (Vecht, 1957) e Taiwan (Matsuura, 1973; Ho et al., 1999), a agressividade observada em França por Perrard et al.
As vespas sociais têm sido descritas como um dos grupos de insetos mais “geralmente detestados” (MAFF, 1983, in Marris et al., 2011). A abundância de vespas em áreas urbanas (e a intensidade das interações incómodas com as pessoas) varia com a estação do ano (Matsuura, 2004, in Marris et al., 2011). No outono, as vespas sociais (incluindo vespões) procuram alimentos doces à base de hidratos de carbono e podem ser atraídas para habitações/locais humanos onde esses alimentos estão disponíveis (por exemplo, locais de piquenique). A sua presença pode perturbar o prazer humano de parques e jardins ao ar livre (Beggs et al., 2001, in Marris et al., 2011). Devido ao seu grande tamanho, a V. velutina intimida o público e, em parte devido à sua aparência, a sua presença e a sua chegada a um novo local atraem uma cobertura mediática de grande visibilidade. Os impactos sociais provavelmente serão maiores nas áreas urbanas/suburbanas, onde as oportunidades de contacto humano (envenenamento) são maiores.
A predação sobre as abelhas melíferas e a perturbação da actividade das suas colónias (levando, por vezes, à sua destruição total) tem impacto negativo sobre a produção de mel e a venda de serviços de polinização. Em algumas partes da Ásia (Caxemira e China), a V. velutina é considerada inimiga das abelhas melíferas. Esta espécie é capaz de destruir até 30% de uma colónia da abelha melífera asiática Apis cerana. As operárias atacam as guardiãs das abelhas melíferas uma a uma, antes de roubarem o seu ninho de criação para alimentar as suas próprias larvas. A área de caça em frente às colmeias é territorial — outras vespas que invadem são rapidamente expulsas. Na província de Yunnan, na China, os níveis de predação das vespas são mais elevados pela manhã e à tarde, o que corresponde ao ritmo diário dos voos das abelhas melíferas (Tan et al., 2005 e 2007). O ataque da V. velutina pode levar à morte da colónia (Qun, 2001; Tan et al., 2005); se uma colónia de abelhas melíferas ficar suficientemente privada de operárias, a V. velutina entrará na colmeia, alimentar-se-á do mel e removerá a criação. A introdução da V. velutina na Europa é certamente prejudicial para os apicultores. Na sequência dos seus ataques, muitas colónias são destruídas ou enfraquecidas (Monceau et al., 2014). As colónias raramente morrem durante um ataque, mas são mais suscetíveis de morrer durante o inverno devido ao número insuficiente de abelhas no enxame invernal, à falta de reservas por as obreiras não se arrisca
Apis mellifera e outros insetos polinizadores, como outras espécies de himenópteros e sirfídeos (moscas-das-flores).
Invasividade Comprovadamente invasiva fora da sua área de distribuição nativa. Tem uma ampla área de distribuição nativa, onde é abundante. Altamente adaptável a diferentes ambientes, pois é uma espécie generalista em termos de habitat. Capaz de obter e ingerir uma ampla variedade de alimentos. Beneficia da associação com os seres humanos (ou seja, é um comensal humano) A V. velutina constrói normalmente dois ninhos por estação (aproximadamente 70% dos ninhos realocados no verão em França — Rome et al., 2015). Os ninhos primários são frequentemente encontrados em ou sobre estruturas artificiais (77% em França — Franklin et al., 2017), enquanto os ninhos secundários são mais prováveis de serem encontrados em estruturas naturais (78% em França — Franklin et al., 2017), tais como copas de árvores bem acima do solo ou, ocasionalmente, em áreas protegidas e não perturbadas em edifícios ou em arbustos espinhosos, e muito raramente no subsolo (Martin, 1995; Rome et al., 2009; Franklin et al., 2017). Consultar a tabela Habitat para conhecer os tipos de habitat em que a espécie é encontrada.
Até agora, os países que foram invadidos por espécies de vespas não conseguiram controlar as suas populações, apesar de muitas tentativas (Beggs et al., 2011). Estas incluíram a introdução de nemátodos parasitas, iscas venenosas e fungos entomopatogénicos (Martin, 2004; Beggs et al., 2011). Na Europa, a maioria dos esforços para reduzir a expansão da V. velutina está relacionada com a destruição física de ninhos individuais; embora muitas vezes seja difícil localizá-los, pois podem permanecer escondidos até à queda das folhas no outono. As recomendações atuais dirigem-se aos apicultores e criadores de abelhas, a fim de proteger as suas colónias de abelhas. Um exemplo de medida preventiva e de proteção das colmeias será a redução do tamanho da entrada nas colmeias. Na Ásia, a abelha-oriental Apis cerana desenvolveu dois comportamentos defensivos contra a predação por vespas: um sistema de alerta para as operárias que regressam, agitando as asas em uníssono (Tan et al., 2005) e um sistema de bolas térmicas, através do qual os intrusos são sufocados e aquecidos até à morte (até 45 °C) por uma bola de abelhas (Ono, 1995; Tan et al., 2005; Papachristoforou et al., 2007). Na Caxemira, uma colónia de A. cerana pode matar 10 vespas por dia, enquanto a abelha europeia consegue matar, em média, apenas uma (Abrol, 2006; Villemant, 2008). As abelhas melíferas europeias podem formar bolas, mas estas são muito menos eficientes na morte das vespas do que as bolas de A. cerana (Tan et al., 2005 e 2007). No entanto, elas podem ser capazes de se adaptar com o tempo. Sensibilização pública Os apicultores são incentivados a estar atentos à presença da V. velutina, e qualquer pessoa que avistar ninhos deve comunicar o avistamento na plataforma STOPvespa (https://stopvespa.icnf.pt/). Erradicação Com os métodos de controlo atualmente conhecidos, a erradicação da V. velutina na Europa é para já impossível, uma vez que se estabeleceu demasiado bem numa vasta área. Por esta razão, está em curso apenas a aplicação de métodos de controlo que visam reduzir o aumento populacional da espécie e a velocidade da sua disseminação. Em Portugal apenas é permitida a utilização dos métodos previstos no "Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal" (https://www.icnf.pt/api/file/doc/4187db2acfea6e33) Controlo físico/mecânico Na Índia, têm sido defendidas estratégias de controlo como matar as rainhas das vespas no início da primavera, destruir os ninhos e espantar as vespas nas entradas das colmeias. Infelizmente, nenhuma dessas estratégias se mostrou eficaz, embora a captura em massa em jarros cheios até a metade com água fermentada com mel tenha reduzido o número de vespas que atacavam os apiários de 10-25 por colmeia para 0-3 (Shah e Shah, 1991). Em França, métodos semelhantes foram testados com resultados semelhantes; por exemplo, em setembro de 2007, um apicultor na região de Bordéus matou cerca de 80 vespas por dia durante várias semanas, sem qualquer diminuição na pressão das vespas s+AX5obre as suas colónias de abelhas melíferas (Chauzat e Martin, 2009). Controlo químico As vespas têm duas necessidades alimentares básicas: açúcares para fornecer energia aos adultos e proteínas para alimentar as crias: a isca (e o envenenamento) poderá, portanto, ser uma opção. No entanto, isso poderá ter efeitos adversos em espécies não-alvo (Beggs et al., 2011). Enquanto não forem identificadas técnicas seguras para o efeito, em Portugal este método não será contemplado no Plano de Ação. Para controlo químico através de injeção de biocidas nos ninhos, apenas podem ser utilizados os produtos autorizados para o efeito pela Direção-Geral de Saúde. Estes produtos devem ser sempre utilizados de forma legal, em conformidade com o rótulo do produto. Controlo biológico Estudos sobre espécies indígenas de fungos entomopatogénicos dos géneros Beauveria e Metarhizium em França mostram algum potencial para o controlo de V. velutina nigrithorax (Poidatz et al., 2018).
Abeilles et Fleurs, 2017. (Frelon asiatique: 12 ans après son introduction, état des lieux et méthodes de lutte). Abeilles et Fleurs, Hors-série Abrol DP, 1994. Ecology, behaviour and management of social wasp Vespa velutina Smith (Hymenoptera: Vespidae), attacking honeybee colonies. Korean Journal of Apiculture, 9(1):5-10 Abrol DP, 2006. Defensive behaviour of Apis cerana F. against predatory wasps. Journal of Apicultural Sciences, 50